FLIQ REVISITADO NA ENTREGA DE PRÉMIO PESSOA A LÍDIA JORGE
CONCERTO DE FILIPE RAPOSO E AMÉLIA MUGE VOLTA A CELEBRAR ESCRITORA, DESTA VEZ EM LISBOA
Uma versão minimal de Pelo fio dos versos, assim a casa seja, um dos concertos do FLIQ 2025, foi agora replicada em Lisboa. O espectáculo de Amélia Muje e Filipe Raposo, desenhado para a homenageada da 5.ª edição do encontro literário, promovido pela Fundação Manuel Viegas, voltou a soar na entrega do Prémio Fernando Pessoa 2025, no passado dia 10, na Caixa Geral de Depósitos, entidade parceira do jornal Expresso na instituição do galardão, em 1987.
A autora recebeu em Dezembro o anúncio de que era merecedora do prémio com nome de imperador. Na cerimónia de entrega da distinção, Lídia Jorge definiu Fernando Pessoa: «é mais do que um rei, é o imperador da poesia do século XX.»
A escritora louletana figura agora entre as primeiras 40 personalidades portuguesas a receber o galardão que as distingue no campo da cultura, da ciência e da arte. Lê-se na decisão do júri: «A obra de Lídia Jorge incide sobre um espetro muito amplo de temáticas, desde o impacto de situações vivenciais extremas nos seus personagens à recriação de contextos que evocam momentos históricos decisivos da vida portuguesa do último século, em particular no período pós-25 de Abril, como a descolonização, a transição da ditadura para a democracia, a exclusão social e a emergência de novos fenómenos de discriminação e fratura social.»
Numa noite de reconhecimento e afectos, Lídia Jorge foi condecorada pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada.
No Algarve, na aldeia que a homenageou ao longo de três dias de Setembro, está patente a exposição que fala do Ofício, da Seita e da Obra da autora. Lídia Jorge: o poder transfigurador da Literatura, pela mão e pelo olhar de Salvador Santos, seu curador, tem entrada livre na biblioteca da Fundação, o Centro de Estudos Algarvios Luís Guerreiro.
Percorrer a exposição é caminhar por alguns dos momentos mais marcantes da vida e obra da escritora que, entre outras palavras, agrupadas nos géneros romance, contos (incluindo o infantil), ensaios, teatro e crónicas, também as organiza no campo da Poética.
Lídia Jorge é autora de Assim a casa seja e Cai a chuva no portal, entre outros poemas, mas estes foram apresentados no FLIQ 2025 com composição original: Assim a casa seja, por Amélia Muge, dando título ao concerto de Querença, lembrado aqui pela cantora, compositora e escritora: «Os próprios ramos das árvores se confundiram com os abraços e nós, feitos passarinhos destes ramos, cantámos todos, sobretudo quando o silêncio de uma comoção tornava as nossas gargantas arautos de um futuro que acreditamos ali mesmo, como que por magia, que um dia irá ser melhor.» O segundo poema, outro tema do espectáculo, foi musicado por Filipe Raposo: «Subitamente regressámos ao chão da nossa infância, de volta da velha casa de Querença, da serra levantada».
Outros prémios e títulos de Lídia Jorge
Após a estreia literária em 1980, Lídia Jorge afirma-se como escritora, em Portugal e no estrangeiro, com A Costa dos Murmúrios, (1988). Entre os títulos mais destacados no domínio da ficção contam-se O Vale da Paixão, O Vento Assobiando nas Gruas, Os Memoráveis ou, mais recentemente, Misericórdia. Os seus livros estão traduzidos em mais de vinte línguas. A Costa dos Murmúrios e O Vento Assobiando nas Gruas foram adaptados ao cinema, respectivamente, por Margarida Cardoso e por Jeanne Waltz. Lídia Jorge é cronista assídua do Jornal de Letras, Público e El País.
Conselheira de Estado desde 2021, foi este ano convidada pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa para presidir à Comissão do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Lídia Jorge recebeu, também em Dezembro do ano passado, o Doutoramento Honoris Causa em Literatura, pela Universidade dos Açores, somando este ao previamente atribuído pela Universidade do Algarve, em 2010.




